{"id":1096,"date":"2012-04-30T00:00:00","date_gmt":"2012-04-30T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/exceto-no-brasil-luta-sindical-e-mais-dificil-nos-brics-e-no-mercosul\/"},"modified":"2012-04-30T00:00:00","modified_gmt":"2012-04-30T03:00:00","slug":"exceto-no-brasil-luta-sindical-e-mais-dificil-nos-brics-e-no-mercosul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/exceto-no-brasil-luta-sindical-e-mais-dificil-nos-brics-e-no-mercosul\/","title":{"rendered":"Exceto no Brasil, luta sindical \u00e9 mais dif\u00edcil nos Brics e no Mercosul"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Valor Econ\u00f4mico<\/strong><\/em><br \/><em><strong>Carlos Giffoni<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Enquanto no Brasil as centrais sindicais lutam pela amplia\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas, como a extens\u00e3o da Participa\u00e7\u00e3o nos Lucros e Resultados (PLR) para mais categorias e a inclus\u00e3o de dependentes em benef\u00edcios como o plano de sa\u00fade, os vizinhos do Mercosul e alguns integrantes do grupo dos Brics (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul) ainda correm atr\u00e1s de causas que aos poucos j\u00e1 foram conquistadas pelo sindicalismo no Brasil.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Na China, o tamanho da popula\u00e7\u00e3o, que ultrapassa 1,3 bilh\u00e3o de pessoas, e a sua dimens\u00e3o continental, criam um forte desequil\u00edbrio entre as regi\u00f5es. Garantir os direitos para os trabalhadores de todo o pa\u00eds \u00e9 o maior desafio do sindicalismo. Na R\u00fassia, a luta \u00e9 contra a terceiriza\u00e7\u00e3o e encontra forte resist\u00eancia do governo, que faz uso da for\u00e7a policial para conter a mobiliza\u00e7\u00e3o sindical. Na Argentina, o ganho de produtividade n\u00e3o refletiu em redistribui\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o salarial condizente com esse ganho, segundo sindicalistas. E, no Paraguai, a grande presen\u00e7a do emprego informal, e a falta de perspectiva de mudan\u00e7a, ainda preocupam os trabalhadores.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A taxa de desemprego no Brasil \u00e9 a menor entre os pa\u00edses do Brics e do Mercosul. Em 2011, ela ficou em 6%, mesmo \u00edndice registrado no Uruguai. Considerando os oito pa\u00edses que comp\u00f5em esses dois grupos, apenas \u00c1frica do Sul (23,9%) e \u00cdndia (9,8%) apresentaram altos \u00edndices. Ao mesmo tempo, o Produto Interno Bruto (PIB) de todos esses pa\u00edses cresceu no ano passado, s\u00f3 que quando se considera o \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH), nem Mercosul nem Brics v\u00e3o bem. O Brasil aparece na 73\u00aa posi\u00e7\u00e3o no ranking de 169 pa\u00edses calculado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 de uma distribui\u00e7\u00e3o mais igualit\u00e1ria das riquezas que o pa\u00eds produz que o movimento sindical brasileiro corre atr\u00e1s. Essa distribui\u00e7\u00e3o toma forma no ganho real acumulado pelas categorias de trabalhadores \u2013 no ano passado, a m\u00e9dia conquistada, segundo monitoramento do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), foi de 1,38% -, na Participa\u00e7\u00e3o de Lucros e Resultados (PLRs) robusta que categorias como a de metal\u00fargicos e a de banc\u00e1rios recebem, na valoriza\u00e7\u00e3o da cesta b\u00e1sica negociada em conven\u00e7\u00f5es coletivas e no pagamento de horas extras.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Por outro lado, a luta em outros pa\u00edses ainda \u00e9 mais focada na garantia de direitos b\u00e1sicos dos trabalhadores. \u201cA luta pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho s\u00f3 ocorre no Brasil. Os outros pa\u00edses est\u00e3o atr\u00e1s da gente nessa quest\u00e3o\u201d, explica Adi dos Santos, presidente da Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT) em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Em um semin\u00e1rio sindical internacional, organizado pela CUT, como parte da agenda da central para as comemora\u00e7\u00f5es do 1\u00ba de Maio, representantes desses pa\u00edses, do governo brasileiro e de entidades de pesquisa discutiram o quanto do crescimento econ\u00f4mico est\u00e1 sendo transformado em desenvolvimento social. A China \u00e9 um conhecido exemplo de pa\u00eds em que os saltos galopantes da economia n\u00e3o refletem, necessariamente, em melhor condi\u00e7\u00e3o de vida para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cLutamos para garantir todo o tipo de direito, para todos os trabalhadores, mas a China \u00e9 um pa\u00eds com uma popula\u00e7\u00e3o muito numerosa e existe uma diferen\u00e7a not\u00e1vel entre as zonas do pa\u00eds. \u00c9 um desenvolvimento desequilibrado o que vivemos\u201d, diz Wencaig Guo, diretor da Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Sindicatos da China. O sindicalista acredita que faltam no pa\u00eds a propaga\u00e7\u00e3o dos direitos pol\u00edticos dos trabalhadores e maior acesso \u00e0 cultura \u2013 a ser incentivado no ambiente de trabalho.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A economia chinesa, que hoje \u00e9 a segunda maior do mundo, viveu um ritmo de crescimento in\u00e9dito desde que abriu o seu mercado. No entanto, o reflexo na vida da popula\u00e7\u00e3o foi menos intenso. \u201cA renda do povo chin\u00eas cresceu, o sistema de seguridade social est\u00e1 mais completo, h\u00e1 vagas para as pessoas se colocarem no mercado de trabalho, mas a vida das pessoas ainda \u00e9 modestamente acomodada\u201d, diz Guo. \u201cO desenvolvimento l\u00e1 n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Na R\u00fassia, o governo \u00e9 o principal obst\u00e1culo \u00e0 articula\u00e7\u00e3o das centrais, mas elas v\u00eam ganhando for\u00e7a com o apoio dos jovens. O Sindicato dos Trabalhadores de Ind\u00fastrias Automobil\u00edsticas da R\u00fassia (MPRA) tem 3 milh\u00f5es de filiados, sendo que, aos 25 anos, Artem Iashenkov, atual membro do comit\u00ea sindical, \u00e9 treinado para ser o presidente do sindicato. Segundo ele, \u00e9 comum que a pol\u00edcia seja chamada para intervir em greves. \u201cO movimento est\u00e1 crescendo rapidamente, puxado pela participa\u00e7\u00e3o dos jovens. As pessoas procuram nossa ajuda onde as condi\u00e7\u00f5es de trabalho s\u00e3o muito ruins\u201d, diz Iashenkov.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O movimento no Brasil vai na contram\u00e3o do que ocorre na R\u00fassia, pois o governo incentiva o fortalecimento do movimento sindical. Por lei, 10% da contribui\u00e7\u00e3o sindical recolhida dos trabalhadores brasileiros \u00e9 repassado \u00e0s centrais desde abril de 2008.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Segundo o jovem sindicalista russo, a luta das centrais no seu pa\u00eds se d\u00e1 pela valoriza\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios, que est\u00e3o muito aqu\u00e9m do desejado, da distribui\u00e7\u00e3o das riquezas e tamb\u00e9m pela proibi\u00e7\u00e3o da terceiriza\u00e7\u00e3o. \u201cO crescimento da riqueza na R\u00fassia n\u00e3o representou melhorias para os trabalhadores. Os sal\u00e1rios s\u00e3o baixos e vemos casos de p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho\u201d, afirma, referindo-se \u00e0 seguran\u00e7a em algumas empresas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>De acordo com dados do sindicato russo, o sal\u00e1rio m\u00e9dio dos metal\u00fargicos na R\u00fassia est\u00e1 em US$ 1.200. No Brasil, a m\u00e9dia fica US$ 2.200 nas montadoras. Iashenkov conta que, no ano passado, o sindicato conseguiu reduzir de 20% para 5% o m\u00e1ximo de trabalhadores terceirizados permitido na Ford.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Victorio Paulon, secret\u00e1rio de rela\u00e7\u00f5es internacionais da Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), diz que houve uma recomposi\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios no pa\u00eds na \u00faltima d\u00e9cada, acompanhada de ganho de produtividade. Por\u00e9m, segundo ele, uma fatia significativa desse ganho foi abocanhada pela iniciativa privada. \u201cOs sal\u00e1rios se valorizaram cerca de 30% [em termos reais], mas a produtividade aumentou e o custo da m\u00e3o de obra no pa\u00eds caiu pelo menos 30% nas grandes empresas. Os lucros aumentaram bem mais que os sal\u00e1rios\u201d, explica.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A quest\u00e3o salarial tamb\u00e9m afeta os trabalhadores no Paraguai, mas \u00e9 a informalidade do mercado de trabalho o que mais preocupa, na vis\u00e3o de Victor Ferreira, secret\u00e1rio-geral da Central Unit\u00e1ria dos Trabalhadores Aut\u00eantica. \u201cO crescimento de 15% do PIB do Paraguai [em 2010; no ano passado, foi de 6,4%] foi somente para os grandes empres\u00e1rios. Os trabalhadores, sem contrato, continuam preocupados com os baixos sal\u00e1rios\u201d, critica Ferreira.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Vagner Freitas, tesoureiro da CUT que deve ser eleito presidente da central sindical neste ano, questiona o destaque que se d\u00e1 ao PIB e traz para a discuss\u00e3o um problema brasileiro. \u201cH\u00e1 diferen\u00e7as claras entre crescimento e desenvolvimento. Hoje, os pa\u00edses est\u00e3o muito preocupados com os n\u00fameros que refletem o avan\u00e7o do seu PIB, mas um alto crescimento do PIB nem sempre representa melhorias de condi\u00e7\u00e3o de vida para a classe trabalhadora. Para isso, o desenvolvimento tem de ser perene, e n\u00e3o inst\u00e1vel como est\u00e1 sendo no Brasil nos \u00faltimos anos\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Para Santos, presidente da CUT-SP, o crescimento brasileiro n\u00e3o est\u00e1 sendo acompanhado pelo desenvolvimento igualit\u00e1rio nas macrorregi\u00f5es. \u201cO Nordeste, por exemplo, cresce mais que o Sul, mas sabemos que a qualidade de vida l\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 avan\u00e7ando da mesma maneira. O IDH brasileiro ainda \u00e9 menor que o de vizinhos sul-americanos\u201d, afirma. \u201cO emprego no Nordeste cresceu muito, mas ainda temos o desafio da educa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1, no Brasil, pol\u00edtica de integra\u00e7\u00e3o com o semi\u00e1rido\u201d, complementa Manoel Messias, secret\u00e1rio de rela\u00e7\u00f5es do trabalho da CUT.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Esther Bemerguy, secret\u00e1ria de planejamento e investimento estrat\u00e9gicos do Minist\u00e9rio do Planejamento, o Brasil assumiu um modelo de crescimento satisfat\u00f3rio desde o primeiro mandato de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. \u201cO pa\u00eds construiu um modelo de desenvolvimento pr\u00f3ximo do sustent\u00e1vel. Houve um processo de inclus\u00e3o social nos \u00faltimos dez anos, com a cria\u00e7\u00e3o de 18 milh\u00f5es de empregos e a valoriza\u00e7\u00e3o em 66% do sal\u00e1rio m\u00ednimo, al\u00e9m do avan\u00e7o de programas de distribui\u00e7\u00e3o de renda, como o Bolsa Fam\u00edlia\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Para Esther, esses fatores colocam o Brasil \u00e0 frente de \u201cpa\u00edses semelhantes\u201d, como os Brics e os outros membros do Mercosul. \u201cNossa matriz energ\u00e9tica \u00e9 a mais limpa do mundo, n\u00f3s nos importamos com a quest\u00e3o ambiental e, aqui, a democracia \u00e9 respeitada. Esses fatores nos fortalecem\u201d, avalia.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em>Fonte: Valor Econ\u00f4mico<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Valor Econ\u00f4micoCarlos Giffoni Enquanto no Brasil as centrais sindicais lutam pela amplia\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas, como a extens\u00e3o da Participa\u00e7\u00e3o nos Lucros e Resultados (PLR) para mais categorias e a inclus\u00e3o de dependentes em benef\u00edcios como o plano de sa\u00fade, os vizinhos do Mercosul e alguns integrantes do grupo dos Brics (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-1096","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1096","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1096"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1096\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1096"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1096"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1096"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}