{"id":1050,"date":"2014-04-25T00:00:00","date_gmt":"2014-04-25T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/de-cada-10-denuncias-de-assedio-moral-tres-sao-contra-bancos-diz-mpt\/"},"modified":"2014-04-25T00:00:00","modified_gmt":"2014-04-25T03:00:00","slug":"de-cada-10-denuncias-de-assedio-moral-tres-sao-contra-bancos-diz-mpt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/de-cada-10-denuncias-de-assedio-moral-tres-sao-contra-bancos-diz-mpt\/","title":{"rendered":"De cada 10 den\u00fancias de ass\u00e9dio moral, tr\u00eas s\u00e3o contra bancos, diz MPT"},"content":{"rendered":"<p><em>Patr\u00edcia Basilio<br \/>iG S\u00e3o Paulo<\/em><\/p>\n<p>Dois antidepressivos por dia, mais um rem\u00e9dio para dormir. S\u00e3o esses os medicamentos que a banc\u00e1ria Beatriz*, de 42 anos, tem de tomar todos os dias, desde que descobriu ter fibromialgia e depress\u00e3o.<\/p>\n<p>A banc\u00e1ria foi diagnosticada com dist\u00farbios psiqui\u00e1tricas ap\u00f3s crises de choro e dores constantes pelo corpo todo. Por este motivo, est\u00e1 afastada do trabalho h\u00e1 cerca de seis meses.<\/p>\n<p>\u201cDescobri que estava doente porque quando chegava no banco come\u00e7ava a chorar. Tamb\u00e9m passei a dormir mal porque acordava de madrugada pensando que algo estava acontecendo no trabalho\u201d, recorda a banc\u00e1ria, que \u00e9 administradora de empresas.<\/p>\n<p>O motivo que levou a profissional a ficar doente \u00e9 cada vez mais comum no setor banc\u00e1rio brasileiro: ass\u00e9dio moral.<\/p>\n<p>Segundo levantamento do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT) a pedido do iG, das 3 mil den\u00fancias realizadas em 2013, 30% foram de bancos. De 2012 para 2013, o n\u00famero de acusa\u00e7\u00f5es aumentou 7,4%.<\/p>\n<p>O ritmo de expans\u00e3o do ass\u00e9dio moral no Brasil \u00e9 maior do que o apontado pelo MPT, de acordo com levantamento interno feito pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf).<\/p>\n<p>Segundo a entidade, em 2011, 29% dos trabalhadores do setor pediram o fim do ass\u00e9dio moral. Em 2012, o n\u00famero aumentou para 31%. Em 2013, para 58% \u2013 de um total de 37 mil entrevistados. Ou seja, o \u00edndice dobrou de 2011 para 2013. No caso do ass\u00e9dio sexual, o desconforto \u00e9 menor. Apenas 3,78% dos banc\u00e1rios ouvidos pela pesquisa (1,4 mil trabalhadores) reivindicam o combate ao ass\u00e9dio sexual.<\/p>\n<p>De acordo com Walcir Previtale, secret\u00e1rio de sa\u00fade do trabalhador da Contraf, o ass\u00e9dio moral ocorre, em grande parte, por conta das metas agressivas determinadas pelas institui\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias.<\/p>\n<p>\u201cA cobran\u00e7a \u00e9 cada vez mais ambiciosa. Se o trabalhador atingiu os objetivos em um m\u00eas, no pr\u00f3ximo \u00e9 cobrado para super\u00e1-los. N\u00e3o h\u00e1 limites\u201d, avalia o secret\u00e1rio, que defende a participa\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios na elabora\u00e7\u00e3o das metas.<\/p>\n<p>A press\u00e3o foi um dos motivos que levou Beatriz* a se sentir humilhada. \u201cEra obrigada a fazer hora extra. Quando n\u00e3o podia trabalhar al\u00e9m do hor\u00e1rio, falavam que tinha pouco comprometimento e argumentavam que havia muitos profissionais que nem eu dispon\u00edveis no mercado de trabalho\u201d, relata.<\/p>\n<p>A banc\u00e1ria foi demitida do banco ap\u00f3s queixar-se das humilha\u00e7\u00f5es, mas foi afastada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a pedido do m\u00e9dico do trabalho durante o exame demissional.<\/p>\n<p>\u201cNo banco, se voc\u00ea recebe duas avalia\u00e7\u00f5es negativas, \u00e9 mandado embora. \u00c9 uma press\u00e3o muito grande\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Paralelamente \u00e0 cobran\u00e7a por metas, o setor banc\u00e1rio extinguiu 10 mil postos de trabalho em 2013, segundo estudo do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese).<\/p>\n<p>Apesar do enxugamento no quadro de funcion\u00e1rios, o lucro l\u00edquido dos bancos cresceu R$ 1 bilh\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a 2012, atingindo R$ 60,6 bilh\u00f5es, informa o Banco Central (BC).<\/p>\n<p>No entanto, em 2013, a rela\u00e7\u00e3o entre rentabilidade e patrim\u00f4nio (sigla ROE, no jarg\u00e3o financeiro) dos bancos fechou com 11,97%, queda de 5,06 pontos percentuais em rela\u00e7\u00e3o a 2012, segundo a consultoria Economatica. Este indicador avalia a rentabilidade das empresas.<\/p>\n<p>\u201cO setor banc\u00e1rio \u00e9 o \u00fanico que tem ferramenta de conflito de trabalho na conven\u00e7\u00e3o coletiva. Temos um canal onde o trabalhador pode denunciar casos de ass\u00e9dio moral. O banco, ao receber a den\u00fancia, vai retreinar o gestor ou transferi-lo para evitar que esse problema volte a ocorrer\u201d, defende Magnus Apost\u00f3lico, diretor de Rela\u00e7\u00f5es do Trabalho da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bancos (Febraban).<\/p>\n<p>Segundo o diretor da entidade, a federa\u00e7\u00e3o recebeu 42 den\u00fancias em 2011 \u2013 quando o canal foi lan\u00e7ado. Em 2012, 119. No ano passado, esse n\u00famero aumentou para 171 \u2013 alta de 43,70% em rela\u00e7\u00e3o a 2012.<\/p>\n<p>\u201cA alta expressiva se deve \u00e0 entrada de um grande banco [no acordo] e ao maior acesso dos trabalhadores \u00e0 ferramenta. Hoje, eles se sentem mais confort\u00e1veis em reclamar\u201d, explica.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do diretor da Febraban, as metas n\u00e3o s\u00e3o respons\u00e1veis pelo aumento do ass\u00e9dio moral. Isso porque, segundo ele, o \u00edndice de rotatividade do setor \u00e9 baixo.<\/p>\n<p><strong>O que fazer em caso de ass\u00e9dio moral, conforme o MPT<\/strong><\/p>\n<p>1- Converse com o gestor com uma testemunha ao lado<\/p>\n<p>2- Fa\u00e7a uma queixa no canal de den\u00fancias do banco<\/p>\n<p>3- Entre em contato com o sindicato da categoria<\/p>\n<p>4- Denuncie o caso ao Minist\u00e9rio do Trabalho ou ao Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho<\/p>\n<p>5- Entre com a\u00e7\u00e3o judicial contra o banco<\/p>\n<p>\u201cO setor banc\u00e1rio \u00e9 um segmento que roda pouco e mant\u00e9m as pessoas no trabalho. Nossa rotatividade \u00e9 de 4,5%\u201d, defende o executivo da Febraban. Pesquisa do Dieese mostra que o \u00edndice de rotatividade no Pa\u00eds em 2012 (\u00faltimo dispon\u00edvel) est\u00e1 em 64%.<\/p>\n<p>Para Ricardo Carneiro, procurador do Trabalho e gerente nacional do projeto \u201cAss\u00e9dio \u00e9 Imoral\u201d, o profissional que sofre ass\u00e9dio moral geralmente teme perder o emprego ao realizar uma den\u00fancia.<\/p>\n<p>Por este motivo, o MPT realizou uma campanha nacional em 2013 com foco no ass\u00e9dio moral dos banc\u00e1rios. O objetivo era que os trabalhadores se sensibilizassem e denunciassem casos de abuso a algum \u00f3rg\u00e3o, como o pr\u00f3prio MPT.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas est\u00e3o conhecendo mais o que \u00e9 ass\u00e9dio moral e, consequentemente, defendendo com mais for\u00e7a os seus direitos\u201d, destaca Carneiro.<\/p>\n<p><strong>Sa\u00fade<\/strong><\/p>\n<p>Casos de ass\u00e9dio moral n\u00e3o agridem apenas a integridade do funcion\u00e1rio, mas tamb\u00e9m podem causar danos \u00e0 sa\u00fade f\u00edsica e mental do profissional, alerta Maria Maeno, m\u00e9dica da Fundacentro, do Minist\u00e9rio do Trabalho.<\/p>\n<p>\u201cAs v\u00edtimas de humilha\u00e7\u00e3o podem ter desde mal estar e depress\u00e3o, at\u00e9 problemas g\u00e1stricos, hipertens\u00e3o e anorexia. O tratamento deve ser feito com psiquiatra, medicamentos e psic\u00f3logo, e pode levar anos\u201d, aconselha a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Olhar para o trabalho de forma negativa \u00e9 o primeiro sinal de que algo n\u00e3o est\u00e1 certo, afirma Maria. \u201cA tend\u00eancia de quem sofre ass\u00e9dio moral \u00e9 ter repulsa ao trabalho. N\u00e3o querer se imaginar mais dentro da empresa.\u201d<\/p>\n<p>A banc\u00e1ria L\u00facia*, de 36 anos, trabalha em um grande banco brasileiro h\u00e1 15 anos. Nos \u00faltimos tr\u00eas, come\u00e7ou a sentir dores de cabe\u00e7a, ter crises do p\u00e2nico e ter pensamentos suicidas. O dian\u00f3stico \u00e9 depress\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cFui afastada algumas vezes pelo INSS. Em uma delas, quando voltei a trabalhar, me colocaram para editar tabelas durante dois meses, o que n\u00e3o \u00e9 o meu trabalho. Disseram que estavam me fazendo um favor por eu estar empregada\u201d, relata a operadora de atendimento.<\/p>\n<p>Indignada com a situa\u00e7\u00e3o, a banc\u00e1ria \u2013 que ainda est\u00e1 empregada \u2013 entrou com processo contra o banco em 2011 e ganhou em primeira inst\u00e2ncia. O caso, contudo, ainda corre na Justi\u00e7a, uma vez que a institui\u00e7\u00e3o financeira recorreu.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o pedi demiss\u00e3o porque meu marido n\u00e3o \u00e9 registrado e tenho um filho de quatro anos. Preciso do plano de sa\u00fade e do dinheiro para comer. Fiquei traumatizada e n\u00e3o tenho mais condi\u00e7\u00f5es de voltar ao mercado de trabalho por conta disso\u201d, diz.<\/p>\n<p><em>*Os nomes das personagens foram omitidos a pedido das pr\u00f3prias entrevistadas<\/em><\/p>\n<p>Fonte: iG S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Patr\u00edcia BasilioiG S\u00e3o Paulo Dois antidepressivos por dia, mais um rem\u00e9dio para dormir. 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