{"id":10237,"date":"2021-01-12T15:16:02","date_gmt":"2021-01-12T18:16:02","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/em-meio-a-pandemia-bancos-publicos-sao-pilar-para-a-economia\/"},"modified":"2021-01-12T15:16:02","modified_gmt":"2021-01-12T18:16:02","slug":"em-meio-a-pandemia-bancos-publicos-sao-pilar-para-a-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/em-meio-a-pandemia-bancos-publicos-sao-pilar-para-a-economia\/","title":{"rendered":"Em meio \u00e0 pandemia, bancos p\u00fablicos s\u00e3o pilar para a economia"},"content":{"rendered":"<p>No terceiro trimestre do ano 2020, o Banco do Brasil desembolsou R$ 6,2 bilh\u00f5es, beneficiando 110 mil empresas. O saldo total da carteira de cr\u00e9dito para Micro, Pequenas e M\u00e9dias Empresas do Banco do Brasil teve alta de 17,9%, em rela\u00e7\u00e3o a setembro de 2019 (aumento de R$ 11,2 bilh\u00f5es). Os recursos foram viabilizados pelo Programa Nacional de Apoio \u00e0s Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). No mesmo per\u00edodo, a Caixa Econ\u00f4mica Federal havia desembolsado R$ 12,064 bilh\u00f5es. Para efeito de compara\u00e7\u00e3o com as institui\u00e7\u00f5es privadas, o Ita\u00fa, que tamb\u00e9m operou o Pronampe, atingiu 47 mil micro e pequenas empresas com valores correspondentes a R$ 3,9 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cNo caso do BB, este aumento da carteira de cr\u00e9dito para as MPEs (Micro e Pequenas Empresas) \u00e9 significativo se levarmos em considera\u00e7\u00e3o que, em 2015, o BB promoveu uma reestrutura\u00e7\u00e3o que tirou a atua\u00e7\u00e3o dos gerentes de relacionamentos em contato direto com esses clientes, concentrando sua atua\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do sistema digital. A reestrutura\u00e7\u00e3o, segundo dados do balan\u00e7o, operou uma perda 51% da carteira de cr\u00e9dito de clientes MPEs da institui\u00e7\u00e3o. J\u00e1 em fevereiro de 2020, o banco anunciava novamente uma reestrutura\u00e7\u00e3o que devolveu a atua\u00e7\u00e3o desses gerentes de relacionamento de forma direta com os clientes pessoas jur\u00eddicas, nas \u00e1reas de Micro, Pequenas e M\u00e9dias Empresas\u201d, explicou o Jo\u00e3o Fukunaga, coordenador nacional da Comiss\u00e3o de Empresa dos Funcion\u00e1rios do Banco do Brasil (CEBB).<\/p>\n<p>Exemplos n\u00e3o faltam sobre a atua\u00e7\u00e3o dos bancos p\u00fablicos no fomento da economia no momento da pandemia, que teve implica\u00e7\u00f5es em todo o mundo. O desembolso, com programas como o Pronampe, fez crescer em 27,8% o desembolso para as MPEs, ante 11,1% das grandes empresas. Este recurso do Pronampe foi disponibilizado em cr\u00e9ditos cedidos via Banco Nacional do Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) para todos os grandes bancos comerciais. Enquanto alguns internalizaram esses recursos e refor\u00e7aram seus caixas, os bancos p\u00fablicos atuaram junto a economia mais fragilizada, nas micro e pequenas empresas.<\/p>\n<p>\u201cO BNDES e seus funcion\u00e1rios sempre desempenharam um papel de an\u00e1lise criteriosa de desembolsos, atuando em momentos de crise econ\u00f4mica para inibir a contamina\u00e7\u00e3o sist\u00eamica internacional. Esse \u00e9 o papel de um banco de fomento, mais ainda de um banco p\u00fablico, pois a pr\u00f3pria reportagem mostra a retra\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito vindo de bancos privados\u201d, analisou Jo\u00e3o Fukunaga. Em reportagem de 3 de janeiro, o jornal \u201cO Estado de S\u00e3o Paulo\u201d, na se\u00e7\u00e3o Economia, registrou a atua\u00e7\u00e3o do BNDES na pandemia com as MPEs. Mas a reportagem n\u00e3o informou que os R$ 150 bilh\u00f5es em desembolso, nesse momento de pandemia, vieram do BNDES, o banco p\u00fablico fomentador nacional de pol\u00edticas de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Dados do Banco Central do Brasil indicam que, no in\u00edcio de 2009, o saldo de cr\u00e9dito dos bancos p\u00fablicos crescia a taxa de 31,5% ao ano acima da infla\u00e7\u00e3o. Enquanto no mesmo per\u00edodo o cr\u00e9dito nos bancos privados crescia a taxa de 17,8% acima da infla\u00e7\u00e3o. Ao final daquele ano, com o agravamento da crise econ\u00f4mica internacional, os bancos privados no Brasil reduziram brutalmente os novos desembolsos de cr\u00e9dito e, em dezembro, a taxa de crescimento em 12 meses havia despencado para 1,2% acima da infla\u00e7\u00e3o, enquanto nos bancos p\u00fablicos os desembolsos foram sustentados por uma decis\u00e3o pol\u00edtica do governo e, em dezembro de 2009, o cr\u00e9dito nas institui\u00e7\u00f5es estatais ainda crescia a elevada taxa de 27% acima da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA import\u00e2ncia dos bancos p\u00fablicos na atua\u00e7\u00e3o contra crises econ\u00f4micas \u00e9 fundamental para sustentabilidade no pequeno, m\u00e9dio e longo prazo, com pol\u00edticas de juros mais baixos, permitindo aumento de gera\u00e7\u00e3o de emprego, como crescimento da atua\u00e7\u00e3o dessas empresas na economia direta\u201d, afirmou o coordenador da CEBB.<\/p>\n<p>De acordo com dados do Departamento Intersindical de Estudos e Estat\u00edsticas S\u00f3cio-Econ\u00f4micas (Dieese), entre janeiro de 2008 e janeiro de 2016, a participa\u00e7\u00e3o dos bancos p\u00fablicos no cr\u00e9dito total no pa\u00eds passou de 33,8% para 56,5% e a participa\u00e7\u00e3o dos bancos privados caiu de 66,2% para 43,5%. Por outro lado, desde 2016 a participa\u00e7\u00e3o dos bancos p\u00fablicos vem caindo sistematicamente chegando a 45,7% em outubro de 2020, ante uma participa\u00e7\u00e3o crescente de 54,3% dos bancos privados. Outro dado, de dezembro de 2019, por exemplo (portanto antes da pandemia), mostra que o cr\u00e9dito nos bancos p\u00fablicos apresentava queda real de 6,2% em 12 meses enquanto nos bancos privados o saldo de cr\u00e9dito apresentava eleva\u00e7\u00e3o de 11,4% acima da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O BNDES expandia sua carteira de cr\u00e9dito a uma m\u00e9dia de 32% acima da infla\u00e7\u00e3o em 2009 e manteve tend\u00eancia crescente at\u00e9 que em 2016 tem in\u00edcio o desmanche do banco. Ao final daquele ano a carteira de cr\u00e9dito do BNDES caiu 18% em termos reais, seguido de queda real de 14,3% em 2017, 12,1% em 2018 e 17,5% em 2019, conforme lembrou a reportagem do Estad\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cUm dos principais problemas do sistema financeiro brasileiro \u00e9 a aus\u00eancia de mecanismos de financiamento de projetos de longo prazo como, por exemplo, infraestrutura. Esvaziar o mais poderoso instrumento de pol\u00edtica econ\u00f4mica de financiamento de longo prazo no pa\u00eds significa renunciar a um universo de projetos que garantiriam maior soberania nacional, maior desenvolvimento industrial e tecnol\u00f3gico, com gera\u00e7\u00e3o de empregos de qualidade e renda\u201d, ressaltou Fukunaga.<\/p>\n<p>A reportagem do jornal mostra que a mudan\u00e7a na orienta\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica de cr\u00e9dito, via bancos p\u00fablicos no governo Temer e continuado no governo Bolsonaro, n\u00e3o somente contribuiu para um desmonte dos bancos p\u00fablicos, como jogou a economia para cr\u00e9ditos diretos e com custo maior nos bancos privados. Em contrapartida, se recorre agora aos bancos p\u00fablicos para atuarem onde os bancos privados n\u00e3o t\u00eam interesse econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>\u201cA mat\u00e9ria do Estad\u00e3o cria uma alegoria fict\u00edcia em que essa guinada de atua\u00e7\u00e3o foi o melhor resultado poss\u00edvel. Mas o fortalecimento dos bancos p\u00fablicos \u00e9 uma necessidade constante. Contudo, infelizmente, assistimos a uma trag\u00e9dia econ\u00f4mica anunciada com o desmontes das institui\u00e7\u00f5es financeiras de car\u00e1ter p\u00fablico\u201d afirmou o coordenador da CEBB. Para Fukunaga, defender os bancos p\u00fablicos \u00e9 bom para o Brasil, e n\u00e3o \u00e9 simplesmente um jarg\u00e3o da \u201cesquerda comunista\u201d. Para ele, a atua\u00e7\u00e3o dessas institui\u00e7\u00f5es \u00e9 fundamental no desenvolvimento econ\u00f4mico do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Fonte: Contraf-CUT<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No terceiro trimestre do ano 2020, o Banco do Brasil desembolsou R$ 6,2 bilh\u00f5es, beneficiando 110 mil empresas. O saldo total da carteira de cr\u00e9dito para Micro, Pequenas e M\u00e9dias Empresas do Banco do Brasil teve alta de 17,9%, em rela\u00e7\u00e3o a setembro de 2019 (aumento de R$ 11,2 bilh\u00f5es). 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