{"id":1004,"date":"2012-04-17T00:00:00","date_gmt":"2012-04-17T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/para-especialistas-queda-de-juros-estimulara-concorrencia-entre-bancos\/"},"modified":"2012-04-17T00:00:00","modified_gmt":"2012-04-17T03:00:00","slug":"para-especialistas-queda-de-juros-estimulara-concorrencia-entre-bancos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hostnetart.com.br\/baixada\/para-especialistas-queda-de-juros-estimulara-concorrencia-entre-bancos\/","title":{"rendered":"Para especialistas, queda de juros estimular\u00e1 concorr\u00eancia entre bancos"},"content":{"rendered":"<p>Os bancos privados erraram no conte\u00fado e na forma ao apresentar ao governo, na semana passada, uma lista de reivindica\u00e7\u00f5es para reduzir os juros. A opini\u00e3o \u00e9 do consultor Amir Khair, especialista em finan\u00e7as p\u00fablicas, ao comentar a reuni\u00e3o em que o presidente da Federa\u00e7\u00e3o dos Bancos (Febraban), Murilo Portugal, apresentou ao secret\u00e1rio executivo do Minist\u00e9rio da Fazenda, Nelson Barbosa, uma s\u00e9rie de propostas do setor para diminuir a taxa de juros.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cOs bancos escolheram o interlocutor errado. Murilo Portugal demonstrou uma tremenda incompet\u00eancia e incapacidade de negocia\u00e7\u00e3o. Eles perderam nesse primeiro contato com o governo. Em vez de apresentarem propostas de redu\u00e7\u00e3o efetiva de juros, tentaram colocar a culpa pelos altos juros no governo.\u201d<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Pressionados pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econ\u00f4mica Federal, que anunciaram quase ao mesmo tempo a redu\u00e7\u00e3o dos juros para o consumidor, para pequenas e microempresas, as institui\u00e7\u00f5es privadas levaram ao governo suas condi\u00e7\u00f5es para reduzir o spread, a diferen\u00e7a entre o juro que o banco paga para captar recursos e o percentual que cobra ao emprestar aos clientes. Hoje, os bancos obt\u00eam recursos pagando 9,7% ao ano e emprestam a uma taxa m\u00e9dia de 38% ao ano.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Os banqueiros pedem a redu\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Opera\u00e7\u00f5es Financeiras (IOF) e da Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL), a cria\u00e7\u00e3o de novos produtos financeiros, entre outras medidas. Na ocasi\u00e3o, o presidente da Febraban disse que \u201cagora a bola est\u00e1 com o governo\u201d, declara\u00e7\u00e3o que foi mal recebida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Para Mantega, \u201cem vez de apresentar solu\u00e7\u00f5es como o aumento de cr\u00e9dito, a entidade fez cobran\u00e7as de novas medidas do governo, com desonera\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Segundo Khair, se o governo ganhar a batalha que est\u00e1 travando com os bancos, sair\u00e3o vitoriosas as empresas de pequeno e m\u00e9dio portes e as microempresas. \u201cAs empresas tomam empr\u00e9stimos para capital de giro e outras opera\u00e7\u00f5es, mas muitas delas sucumbem aos juros extorsivos pagos aos bancos, deixando de aplicar recursos para expandir ou at\u00e9 para reduzir pre\u00e7os.\u201d<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Ades\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os resultados da estrat\u00e9gia do governo j\u00e1 come\u00e7am a aparecer. Na \u00faltima quinta-feira (10), o HSBC anunciou cortes nas linhas de empr\u00e9stimo pessoal, financiamento de ve\u00edculos e cr\u00e9dito consignado. O banco ingl\u00eas foi o primeiro do setor privado a reduzir taxas. O Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) tamb\u00e9m aderiu ao movimento.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Khair enfatiza, no entanto, que a retomada do crescimento depende de algumas iniciativas importantes do governo: redu\u00e7\u00e3o das despejas com juros, desonera\u00e7\u00e3o fiscal e c\u00e2mbio favor\u00e1vel. \u201cNa medida em que o governo baixar a taxa Selic para um \u00edndice pr\u00f3ximo de 6%, praticado nos pa\u00edses emergentes, o governo vai economizar recursos e ter condi\u00e7\u00f5es de desonerar a ind\u00fastria e ganhar competitividade\u201d, avalia.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o apontada pelo consultor, que tamb\u00e9m est\u00e1 na al\u00e7ada do governo, \u00e9 melhorar o c\u00e2mbio. \u201cSe praticarmos um c\u00e2mbio da ordem de dois reais ou um pouco mais, a ind\u00fastria nacional ganha competitividade, passa a ter maior dom\u00ednio do mercado interno e, inclusive, chance de disputa externa\u201d, afirma.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Para o economista Jo\u00e3o Sics\u00fa, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o mercado de cr\u00e9dito concentrado desfavorece o consumidor que fica nas m\u00e3os de um setor sem concorr\u00eancia. \u201cOs poucos bancos que dominam esse mercado alegam que os juros s\u00e3o altos por conta da inadimpl\u00eancia e dos impostos, mas os lucros bilion\u00e1rios decorrem das taxas de juros elevad\u00edssimas que eles podem cobrar porque n\u00e3o h\u00e1 concorr\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Sics\u00fa destaca que a nova pol\u00edtica dos bancos estatais deve levar as institui\u00e7\u00f5es privadas a reverem suas estrat\u00e9gias. \u201cOs bancos privados ter\u00e3o de reduzir os juros tamb\u00e9m ou v\u00e3o perder mercado de forma acelerada.\u201d O economista ressalta que ao criar programas para reduzir juros o BB e a Caixa Econ\u00f4mica, que figuram entre os cinco maiores bancos brasileiros, est\u00e3o cumprindo o papel de entidades p\u00fablicas. \u201cOs bancos p\u00fablicos devem ampliar o cr\u00e9dito e oferecer produtos variados de investimento financeiro, reduzir tarifas e tempo de atendimento dos clientes e reduzir taxas de juros.\u201d<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Inadimpl\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>O argumento da Febraban de que \u00e9 a inadimpl\u00eancia que eleva os juros, \u00e9 rebatido por Juvandia Moreira, presidenta do Sindicato dos Banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo, Osasco e regi\u00e3o. \u201cO que mais pesa na composi\u00e7\u00e3o do spread \u00e9 o lucro l\u00edquido, com 33%, segundo dados do Banco Central. Em segundo lugar, est\u00e1 a inadimpl\u00eancia com 28,7%. No caso dos grandes bancos, o \u00edndice de inadimpl\u00eancia n\u00e3o passa de 5%, o maior \u00e9 o do Ita\u00fa, com 4,9%.\u201d<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A dirigente descontr\u00f3i ainda uma outra teoria da Federa\u00e7\u00e3o dos Bancos: a de que os spreads s\u00e3o elevados, mas que o mesmo n\u00e3o ocorre com as margens l\u00edquidas (o lucro dos bancos com essas opera\u00e7\u00f5es). \u201cA margem l\u00edquida dos bancos \u00e9 respons\u00e1vel por 33% do spread, ou seja, \u00e9 o item com maior peso. Al\u00e9m do spread, o lucro decorre tamb\u00e9m das altas tarifas e de opera\u00e7\u00f5es de tesouraria. Apenas as receitas com tarifas dos seis maiores bancos atuantes no Brasil s\u00e3o capazes de cobrir cerca de 130% do total das despesas com pessoal.\u201d<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>De acordo com Juvandia, a redu\u00e7\u00e3o do spread n\u00e3o comprometeria o rendimento dos bancos, porque em vez de ganhar apenas na margem, eles ganhariam com o aumento do empr\u00e9stimo a taxas menores. \u201cO que defendemos n\u00e3o \u00e9 o fim dos lucros das institui\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias, mas a perman\u00eancia de margem mais razo\u00e1vel. Que ganhem n\u00e3o s\u00f3 as institui\u00e7\u00f5es, mas clientes e o Brasil com maior desenvolvimento econ\u00f4mico.\u201d<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ela defende a realiza\u00e7\u00e3o de uma confer\u00eancia nacional para discutir o sistema financeiro e envolver a popula\u00e7\u00e3o no debate sobre quest\u00f5es importantes, como os juros banc\u00e1rios. \u201cA margem de lucro dos bancos est\u00e1 penalizando a sociedade. Os bancos s\u00e3o concess\u00e3o p\u00fablica e t\u00eam de cumprir seu papel social.\u201d<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Cadastro positivo<\/strong><\/p>\n<p>Nas propostas apresentadas ao governo, a Febraban tamb\u00e9m lista a regulamenta\u00e7\u00e3o do cadastro positivo como contrapartida para a redu\u00e7\u00e3o do spread. Para Carlos Tadeu de Oliveira, gerente de Testes e Pesquisas do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), n\u00e3o \u00e9 verdade que o cadastro contribua, de alguma forma, para baixar os juros banc\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cOs bancos conhecem o hist\u00f3rico de seus clientes e nem por isso oferecem taxas de juros mais razo\u00e1veis, ao menos para aqueles mais antigos. Portanto, n\u00e3o \u00e9 esse cadastro que vai determinar a queda dos juros\u201d, aponta Oliveira.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A Lei 12.414, que cria o cadastro positivo de bons pagadores, poder\u00e1 contribuir para diminuir o custo do cr\u00e9dito para quem mant\u00e9m as contas em dia. Foi sancionada em junho de 2011 pela presidenta Dilma Rousseff, mas ainda precisa de regulamenta\u00e7\u00f5es para disciplinar o funcionamento do cadastro.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O gerente do Idec tem a expectativa de que o novo cen\u00e1rio estimule a competi\u00e7\u00e3o entre os bancos para beneficiar o consumidor. \u201cOs bancos nunca entraram numa competi\u00e7\u00e3o pra valer. Prova disso \u00e9 a portabilidade do cr\u00e9dito, uma medida que existe desde 2006. O consumidor pode levar seu cr\u00e9dito de um banco para outro e negociar com quem apresentar juros mais atraentes, mas a gente nunca viu uma campanha esclarecendo sobre essa possibilidade. Os bancos n\u00e3o brigam pelos clientes oferecendo cr\u00e9dito mais barato. Agora que a Caixa e o BB baixaram os juros e que j\u00e1 est\u00e1 havendo um movimento dos consumidores para buscar esses bancos, vamos ver como o setor se comporta. Espero que ocorra alguma competi\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Oliveira.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em>Fonte: Rede Brasil Atual<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os bancos privados erraram no conte\u00fado e na forma ao apresentar ao governo, na semana passada, uma lista de reivindica\u00e7\u00f5es para reduzir os juros. 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